Educação e Gênero

Um ano depois dos jogos olímpicos do Rio de Janeiro, a cidade recebe agora uma competição menos presente na mídia. Começou ontem a Olimpíada Internacional de Matemática (IMO, na sigla em inglês), que acontece pela primeira vez no Brasil.


Deborah Alves, de 24 anos, se formou em computação e matemática em Harvard (Foto: Marcelo Brandt/ G1)

O G1 publicou no dia 18/07/2017 uma importante reportagem sobre a participação das mulheres brasileiras no campeonato — que nesta edição não tem nenhuma competidora representando o Brasil. Chamo atenção para o relato da medalhista Deborah Alves (que participou da IMO em 2010 e 2011):

“Acho que todo mundo nasce com a capacidade de fazer o que quiser. A diferença é que nem todo mundo tem oportunidade. Não é porque é mulher que fica fadada a nunca ser boa em alguma coisa”

Deborah Alves (24 anos)

Não é novidade que a educação no Brasil é injusta, mas menos evidente que a diferença de oportunidades entre classes sociais, é a grave desigualdade de estímulos entre gêneros. Sempre tive o privilégio de ter uma forte influência feminina em minha vida. Filho de pais separados, cresci morando com minha mãe, professora de matemática do município de São Gonçalo (RJ), que por muito tempo trabalhou por três turnos para conseguir fechar as contas de casa. A maioria dos meus mentores são mulheres: professoras, investidoras, empreendedoras e ativistas sociais. Co-lidero um movimento de educação com duas mulheres incríveis e inspiradoras. Estudei numa universidade presidida por uma mulher e que desde 2010 conta com mais mulheres do que homens dentre seus estudantes. O seríssimo problema de baixa representatividade feminina em posições de liderança na sociedade brasileira não está de maneira alguma na aptidão, capacidade ou interesse individual. O problema está na forma que estruturamos nossa sociedade, ainda extremamente patriarcal, e na desigualdade de oportunidades.

Não podemos mais fechar os olhos para as injustiças de gênero que são tão perpetuadas no nosso dia a dia. Por uma sociedade com mais mulheres na matemática, nas ciências, na política e em todos os setores. Por uma sociedade onde Deborahs sejam a regra e não a exceção.

Para ler a reportagem clique aqui.


Esse texto reflete uma opinião pessoal e não a opinião oficial do movimento sobre o assunto. Somos um movimento plural, capaz de acolher diversas de visões.

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