Eleições limpas: uma tarefa de todos

Desde suspeitas de manipulações russas nas eleições dos Estados Unidos até casos de assassinatos em linchamentos motivados por boatos espalhados via WhatsApp na Índia, não restam dúvidas do potencial destrutivo que as notícias falsas possuem em tempos de sociedade hiperconectada.

No Brasil não é diferente, mas da mesma forma que grupos e atores políticos aderem às Fake News para promover a si e às suas pautas, existem iniciativas incríveis na sociedade civil preocupadas em garantir o básico da democracia: que o debate seja feito entre pessoas reais e a partir de fatos reais.

As notícias falsas descrevem um fenômeno (da desinformação) que não é propriamente novo. A partir do momento em que o homem se torna um ser narrativo, a ficção passa a integrar o seu cotidiano e as relações sociais. Dessa forma, boatos se tornam consequência natural das quebras da linguagem e podem ser encontrados desde registros da Grécia Antiga. Também é natural que esse fato ganhe proporções maiores e passe a afetar a vida pública e a política.

Só que tudo isso ganha outras proporções quando uma notícia pode alcançar o mundo em poucos minutos e de forma altamente fragmentada, como acontece nas redes sociais.Como exemplo, podemos mencionar um caso brasileiro, basta lembrar da série de boatos sobre Marielle Franco, ex-ativista e vereadora no RJ, assassinada em março deste ano, tentando estabelecer uma relação inexistente entre ela o crime organizado, justamente uma das coisas contra as quais Marielle mais lutava.

As empresas e as instituições já estão se mobilizando contra o problema. Prova disso é a recente desativação de 196 páginas e 87 perfis ligados ao MBL por participarem de “uma rede coordenada que se ocultava com o uso de contas falsas e escondia das pessoas a natureza e a origem de seu conteúdo com o propósito de gerar divisão e espalhar desinformação”, segundo nota do Facebook.

Apesar destes esforços, é de dentro da sociedade civil que aparecem algumas das colaborações mais importantes. Um exemplo é o trabalho do Instituto de Tecnologia e Equidade (IT&E), que recomenda o uso de tecnologia blockchain para dar mais transparência à movimentação de recursos na política, além de legislação mais detalhada sobre quais tecnologias podem ser usadas. Também é sugerida a inclusão de alfabetização midiática no currículo escolar, uma vez que é essencial estar preparado para lidar com quantidades enormes de informação e conseguir discernir o que são conteúdos relevantes e confiáveis de lixo virtual.

Conforme o período de campanha eleitoral se aproxima, esse assunto ganha ainda mais relevância. O eleitor passa também a ter uma importante responsabilidade: procurar representantes comprometidos com um debate baseado em fatos. Uma sugestão é procurar por políticos, partidos e movimentos que integram o #NãoValeTudo, um esforço coletivo para garantir que o debate corra de forma ética e limpa nas redes sociais.

Esse compromisso, do qual o Movimento Acredito faz parte, celebra as iniciativas de verificação de fatos, além de condenar o uso de perfis falsos e de robôs que se passam por humanos para influenciar a opinião pública.

No entanto nada disso surtirá efeito se a população não se comprometer também com um debate limpo. Vale lembrar que as Fake News não são exclusividade da esquerda ou da direita. Por isso o esforço de cada cidadão é indispensável ao combater notícias falsas no dia a dia, nos grupos de WhatsApp e, principalmente, não as aceitando só porque vêm de alguém com proximidade ideológica. Afinal, o debate democrático só faz sentido se tiver como premissa o compromisso de não usar informações falsas para tentar impor um ponto de vista.

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